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    20/01/2020 08h39 - Atualizado em 20/01/2020

    Entre Prosas: Carlos Antonio Alonso Parreira

    "Uma olhada nos índices de desenvolvimento dos municípios da região, comparados com a evolução de outros do Estado e do país, nos traz uma triste certeza de que não estamos acompanhando a locomotiva no mesmo ritmo"

    Adriana Dias - Da redação

    Na semana que passou a Folha da Manhã chegou ao seu 37º aniversário e anunciou que virá com mudanças nos próximos meses. Primeiro, com um novo projeto editorial gráfico e, depois, com novos formatos em plataformas digitais – que o jornal, de forma pioneira, implantou desde 1997. Para o diretor de Jornalismo do Grupo, Carlos Antonio Alonso Parreira, esse processo é uma evolução da mídia. “Vamos nos adequando ao que o consumidor exige, ou seja, ele quer saber da notícia, não importando a forma com que ela chega até ele, seja no papel ou no smartphone. Se deixarmos de reportar as notícias com qualidade e competência, vamos deixar de existir”.

    O diretor relatou que a Folha vai intensificar a produção das plataformas digitais, com um planejamento que vem fazendo nos últimos seis meses com empresas especializadas de Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. Já nas próximas semanas serão implementadas as mudanças no jornal impresso, com um novo formato no tamanho e novo projeto editorial.

    Folha da Manhã - Como é para você, empresário que criou o jornal diário Folha da Manhã, há 37 anos, ver que mesmo com o advento da internet, fechando vários veículos de comunicação no país e no mundo, sua empresa vem resistindo e anunciando novos investimentos?

    Parreira – Pode até parecer arrogância, mas o princípio básico de tudo é a confiança e a persistência, ou seja, procuramos nos cercar de pessoas, tanto na vida profissional quanto na pessoal, que enxergam os desafios de forma consciente, prudência e com otimismo. Se você gosta do que faz e, entre os que o cercam, encontra apoio daqueles que também têm esse mesmo espírito, não existem desafios insuperáveis. Aqui mesmo em Passos existem ilhas de excelência em vários setores, na saúde, educação, agronegócio e em todas as principais atividades profissionais, cujos idealizadores são, inicialmente, sonhadores em seus empreendimentos. Os que não têm esse espírito encerram as atividades. O surgimento da Folha, há 37 anos, foi um exemplo disso, em meio a um país em crise, na época, conseguimos romper a acomodação e criamos algo que a comunidade aceitou, não iríamos ter sucesso se apresentássemos um produto semelhante aos que existiam. Hoje, com essa evolução da mídia jornalística eletrônica, vamos nos adequando ao que o consumidor exige, ou seja, ele quer saber da notícia, não importando a forma com que ela chega até ele, seja no papel ou no smartphone. Se deixarmos de reportar as notícias com qualidade e competência, vamos deixar de existir.

    FM - A que o senhor atribui a tiragem que a Folha da Manhã tem e o ganho de novos seguidores nas mídias eletrônicas como o ClicFolha e as redes sociais da empresa?

    Parreira – Exatamente ao princípio do nosso negócio: produzir a informação. Se fazemos isso com pessoas capacitadas e comprometidas como exercício do jornalismo, a forma como apresentamos o produto vai se adequando ao mercado. Exemplo disso se experimenta na música, no cinema, na comida que se entrega pelo delivery, no vestuário e tudo mais. Começamos a trabalhar na internet em 1997, quando nenhum jornal do estado de Minas e poucos no restante do Brasil utilizava a rede.

    Hoje temos mais audiência no virtual do que no impresso, como aliás já acontece com os principais jornais do país e do mundo. Mas um não elimina o outro, pelo contrário, faz surgir mais vagas de trabalho, só que capacitadas. Neste sentido, o custo de produção acaba aumentando, justamente porque você não pode eliminar sua linha de produtos. Alguns jornais importantes de cidades como Ribeirão Preto, Franca, Uberlândia, Governador Valadares, só para citar alguns, optaram por ficar apenas no jornal virtual e o resultado tem sido negativo.

    FM – Nos projetos de investimento da Folha, não será esse o caminho, devido à crise comum à maioria das empresas do setor no país?

    Parreira – Não. Pela estrutura em equipamentos e pessoal que temos, que é uma das maiores do interior do Brasil, isso não vai acontecer. Hoje o grupo Folha da Manhã (que engloba as empresas jornalísticas Santa Marta, Folha Minas e ClicFolha) está economicamente saneado, depois de um oneroso processo de saneamento, principalmente trabalhista, que chegou perto de R$ 1 milhão nos últimos dois anos; não temos qualquer dívida bancária ou com fornecedores; e chegaremos até fevereiro com as folhas de pagamento dos funcionários, todos regularmente registrados, em dia.

    Pelas pesquisas que realizamos com os nossos clientes e assinantes, o jornal impresso é indispensável em nosso negócio – seguindo, aliás, uma tendência mundial. Estamos nos preparando para intensificar a produção das plataformas digitais, com um planejamento que vimos fazendo nos últimos seis meses com empresas especializadas de Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre, e já nas próximas semanas vamos implementar as mudanças no jornal impresso, com um novo formato no tamanho e novo projeto editorial. Além, é claro, de adequar a esse projeto a forma com que a notícia será apresentada ao leitor. Aliás, isso vem sendo feito ao longo dos últimos 37 anos, basta dar uma olhada no acervo da Folha.

    FM – É esse um dos pilares de sobrevivência da Folha?

    Parreira – Na Folha e em todos os órgãos de impressa que estão atuando no país, que passam por transformações intensas. Como lembrou nesta semana a jornalista Mirian Leitão, num artigo em “O Globo”, muda o modelo de negócios, a maneira como se apuram as informações, a forma como a notícia é apresentada e a intensidade com que o fluxo de dados e fatos circula. Alguns nichos de mercado desaparecem e outros surgem constantemente. Nessa voragem, os jornalistas vão trocando de equipamentos, aprendendo a usar novas técnicas, entrando e saindo de plataformas.

    Mas não é o fim da atividade, é que a tecnologia acelerou o ritmo de mudanças que sempre estiveram ligadas ao jornalismo. Mesmo quando alguns órgãos fecham, reduzem-se os profissionais necessários para executar uma tarefa, velhas fontes de receita diminuem, não é o jornalismo acabando. É a transformação com a qual a imprensa sempre conviveu. Mudar é a nossa matéria.

    FM - Para ganhar os novos leitores, novos assinantes, os jovens, quais as estratégias utilizadas pela Folha da Manhã?

    Parreira – Também aqui precisamos acreditar na educação. Muitos dizem que o jovem não lê, mas estudos realizados pela a Associação Nacional dos Jornais apontou que nunca se leu tanto jornal como agora. A forma como a que se lê é que mudou: ao invés do papel, se lê no tablet, no telefone.

    O que temos de fazer é despertar no jovem o interesse em procurar o nosso produto em meio a milhões de opções e só faremos isso se publicarmos o que for de seu interesse e de seu grupo.

    Recentemente criamos o projeto do “Folha For Teen” para colocar a escola no jornal e a participação tem sido muito interessante. Na FliPassos de 2019 eu fiquei até surpreso com o interesse dos mais jovens pelo jornal e pelo jornalismo. E isso tem uma explicação simples: entregar aquilo que o público quer ler e não aquilo que você acha que ele quer ler. Quem decide é o leitor, o ouvinte, o telespectador, o consumidor. A escolha é dele.

    FM – E o resultado tem sido apurado cientificamente ou é apenas o resultado do “achômetro”?

    Parreira – A Folha é o único jornal do interior de Minas e o segundo do Estado que é filiado ao IVC – Instituto Verificador de Circulação, na auditagem de audiência na internet, e em implantação no impresso. Não adianta você mostrar a “mentiragem” porque o mercado publicitário nacional hoje acredita mais nisso.

    FM - Se hoje lhe fosse dada a oportunidade de abrir um jornal diário, o senhor abriria? Acredita no impresso?

    Parreira – Claro. Estamos criando um jornal todo dia, a cada edição é um novo jornal. É claro que numa cidade como Passos, por exemplo, não haveria mercado para dois jornais. Mas, de uma maneira geral, o mercado existe e é bom. Em Belo Horizonte, por exemplo, existem redes de jornais de bairro que, somadas, têm tiragem maior do que os grandes jornalões; em todo o Estado de Minas temos cerca de 31 jornais diários que, apesar de todas as dificuldades provocadas pela recessão dos últimos anos, sobrevivem com razoável saúde financeira e são indispensáveis para as comunidades onde circulam. Em São Paulo, como está vivenciando agora o Cossinho Freitas, estão sendo produzidas revistas segmentadas com grande sucesso editorial. O quadro do jornalismo não é diferente do que se vê na engenharia, na medicina, na agronomia ou qualquer outro “negócio”. Quer ver outro exemplo: há 20 anos, quem imagina esse boom turístico da Canastra e Lago de Furnas? O engenheiro Marcos Mendes, quando criou Escarpas do Lago, sonhou e realizou isso, mas não viveu para ver sua realização. E como ele existem inúmeros outros.

    FM - Agora o Grupo Folha tem um novo desafio, que é a mudança para um novo parque gráfico. Essa mudança tem sido pensada há quanto tempo?

    Parreira – Há cerca de 6 meses, quando o meu sócio Carlos Orlandi Chagas apresentou a ideia de transferir a sede, conseguimos uma área de 1.600 m2 no Jardim Colégio de Passos, já registrada em nome de uma das empresas do grupo. No ano passado iniciamos a elaboração do projeto que terá uma arquitetura específica para uma empresa jornalística e, se tudo caminhar dentro do que estamos planejando, esse projeto começará a sair do papel nos próximos meses.

    FM - Neses 37 anos, o senhor como diretor de Jornalismo vivenciou muita história de Passos e região, uma vez que o jornal é regional. Quais as mais relevantes?

    Parreira – As mais palpitantes, para quem gosta de acompanhar a vida político-partidária como eu, foram as transformações políticas da região, com a impressionante rapidez da ascensão e queda de algumas lideranças políticas, porque as empresariais são mais suscetíveis a fatores de mercado. Já entre os políticos, não. Eles sucumbem pelos seus erros primários de posicionamentos e estratégias.

    Quantas vezes publicamos editoriais e artigos de colaboradores alertando-os pelo risco inevitável de suas condutas e eles acham que estamos sendo parciais, que defendemos correntes políticas e coisas do gênero. O que também vivenciamos com certa preocupação são as oportunidades perdidas, aí também provocadas pelas más escolhas de nossos representantes. Uma olhada nos índices de desenvolvimento dos municípios da região, comparados com a evolução de outros do

    Estado e do país, nos traz uma triste certeza de que não estamos acompanhando a locomotiva no mesmo ritmo, salvo raras exceções. E, o que é pior, o que nos espera para o futuro, através das propostas que estão surgindo nas pré-campanhas eleitorais, não são muito animadoras. 

    20/01/2020
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    arlos Antonio Alonso Parreira, diretor de Jornalismo do Grupo Folha da Manhã

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